juquinha

eu odeio compras online

para o meu aniversário este ano, decidi que iria me dar uma bolsa nova. eu queria que ela fosse preta, que coubesse um laptop de pelo menos 14" para os ocasionais dias de trabalho presencial, mas que também fosse casual o suficiente para usar em passeios e outros momentos de lazer, além de ser resistente o suficiente para durar por alguns anos. achei que seria um processo simples.

eu já havia separado algumas lojas que sabiam que eram de confiança e eu não levaria um calote. chegou a minha primeira decepção: muitas dessas lojas faziam publicidade (principalmente em redes sociais como instagram) destacando reposições de modelos e cores de produtos que simplesmente não estavam mais disponíveis. entendo que é custoso patrocinar publicações nessas plataformas, e se uma propaganda em específica está tendo bons resultados, melhor não retirá-la. mas ainda assim, achei um pouco canalha da parte da loja divulgar itens específicos que já estavam esgotados faz semanas. descartei essas lojas como opções de compra.

ao acessar os sites das outras lojas da lista, passei uma nova raiva: a experiência de navegação online. todos os sites, sem exceção, jogavam na sua frente imediatamente após acessar o site um pop-up gigante requisitando seus dados para algum desconto ínfimo e/ou uma newsletter. após fechar esse pop-up, você recebia um segundo pop-up falando sobre a política de cookies do site e se você aceitava ou negava ela. depois de fechar esse, aparecia um banner fixo no topo da tela, provavelmente divulgando um frete grátis caso você gastasse uma quantidade absurda de dinheiro no pedido. ao lado, aparecia também um terceiro pop-up, com o símbolo do whatsapp para falar com o atendimento da loja. esse, muitas vezes, sendo impossível de ser fechado, e constantemente ficando na frente das informações dos produtos. em algumas lojas, havia ainda um quarto pop-up, tocando pequenos vídeos dos produtos.

o terceiro problema: o material das bolsas. composição? tecido sintético. nylon. couro vegano. poliuretano. PU. plástico que em menos de dois anos vai começar a se destacar e vai condenar aquele item para a lixeira. e preços que não justificam a vida útil da bolsa. isso quando falam a composição, e não apenas ocultam a informação ou falam apenas que é de “lona” (que pode ser feito tanto de material sintético quanto natural).

eu sou considerada a “diferente” por preferir comprar coisas pessoalmente do que de forma online, mas acho que essa jornada que acabei de descrever justifica bem o meu pensamento. uma série de irritações para comprar um produto que você não faz ideia como é a textura, o toque, a sensação de usá-lo, e ainda corre o risco de ser extraviado na entrega por algum sistema horripilante de logística. tudo isso pela possibilidade de conseguir algo mais barato que nas lojas físicas, com uma diferença de preço que, na minha opinião, não justifica o estresse. quem diria que chegaria o dia que ir presencialmente até o shopping seria a opção mais tranquila.

se ficou até aqui, obrigada pela leitura!

P.S.: duas horas depois da escrita desse post, uma peça na minha pia quebrou e eu consegui comprar a substituta em 15 minutos pelo mercado livre, que chegou na tarde do dia seguinte. gostaria de me retratar que algumas compras online são boas, sim.

#cotidiano